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Posse dos novos trabalhadores em educação é marcada por ameaças
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Escrito por Mellyna Reis   
Seg, 01 de Fevereiro de 2010 09:22

 

A cerimônia de posse de 1.642 novos trabalhadores em educação do Estado, realizada no último dia 27, no teatro da UFPE, Cidade Universitária, foi marcada por um tom ameaçador. Os empossados foram obrigados a ouvir do governador Eduardo Campos que “a época do funcionário público fazer greve – direito previsto em lei – já passou, e se insistirem na paralisação terão o salário descontado”.

 

Em outro trecho de sua fala, Eduardo chegou a mencionar "a visão que se tem do funcionalismo público trabalhar pouco e não ser demitido": "A verdade tem que ser dita, nós sabemos que 90% dos servidores trabalham e se esforçam, mas pelo menos 10% faz corpo mole", declarou. Campos ainda culpou os grevistas por parte dos problemas da rede, alegando que as aulas de reposição não são suficientes para garantir um ensino de qualidade e terminam por prejudicar os alunos.   

 

"Isso é perseguição. Eu fiquei impressionado, mas a maioria realmente ficou assustada", comentou o recém-empossado professor de História, Edson Tenório. O docente que lecionará nas escolas João Barbalho e Manuel Bandeira, condenou o discurso do gestor."É estranho. É uma fala sem nenhum fundamento pedagógico", afirmou. Ainda na posse, o governador, que protagonizou as falas "mais duras", enquanto o secretário de Educação, Danilo Campos, foi responsável pels mensagens de boas-vindas, voltou a insistir na criação de métodos e instrumentos de fiscalização - como o cronômetro - para obter-se um controle no período em que o professor está em sala de aula.   

 

O diretor do Sintepe, Paulo Rocha, lamentou as declarações de Eduardo Campos: "É um discurso descabido pedagogicamente e que do ponto de vista das relações de trabalho amplia os conflitos com a categoria, pois afirma o autoritarismo e não contribui para uma educação pública de qualidade social".

 

Já o presidente do sindicato, Heleno Araújo, notou uma certa semelhança da situação com o que ocorreu em 2005, no governo Jarbas. Na época, a entidade recebeu várias denúncias sobre funcionários da Secretaria de Educação que, durante a posse, disseram aos novos servidores que eles não tinham sindicato. "Gestores diferentes, mas com o mesmo objetivo de enfraquecer a nossa luta", ressaltou Heleno.  

Última atualização ( Ter, 02 de Fevereiro de 2010 09:27 )
 
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