O quarto poder?

Quando temos mais perguntas que respostas em verdade o que possuímos em nossas mãos? Essa, sem sombra de dúvida, é a situação da mídia nacional ou o quarto poder, após o segundo turno da eleição para presidente do país. Vocês podem perguntar e com muita propriedade: qual o maior erro intencional da mídia nessas eleições?

Criar factoide e/ou tentar incriminar os personagens de maior destaque do partido que está no poder? Insistir na questão da corrupção passando para a população uma imagem em que todos no governo federal são corruptos? (um bom exemplo é o que vimos na TV globo, quando a presidente foi entrevistada e numa mesma pergunta o entrevistador pronunciou sete vezes a palavra corrupção). Projetar de forma triunfalista a vitória do PSDB no segundo turno e com grande folga? E depois da derrota no próprio Estado do concorrente por mais de quinhentos mil votos, tentarem desqualificar a vitória da reeleição dando espaço para os que perderam justifiquem de forma sempre maliciosa o que foi desejado pela maioria da população?


Foram tantas as reportagens e manchetes, antes e depois das eleições enaltecendo as supostas qualidades do pretenso caçador de corruptos, que a população muitas vezes deve ter tido a impressão que a disputa era entre uma candidata e toda a mídia desse país. Um pequeno exemplo local depois da derrota foi o destaque em um dos jornais: “Aécio ligou para Dilma e pregou a união. A presidente reeleita, em seu primeiro pronunciamento, vestiu o branco simbólico da paz.”. Até a ordem da frase como está colocada, implica que a iniciativa de unificação ou paz no país tenha partido do derrotado. Precisamos mais do que nunca perguntar: O que a mídia deseja vender para as pessoas?

Qual o propósito da insistência em enaltecer o derrotado?
O que é a mídia hoje?
O que a mídia representa ou a quem ela serve?

O que a mídia incentiva quando oferece um grande espaço nos seus jornais, nas TVs e rádios para aqueles que pretendem menosprezar a vitória conquistada? Isso tudo tem um odor horrível de terceiro turno? O que se observa nesse momento são as velhas queixas de viés econômico/político de que se arrecada muito e empregam-se altos valores em programas sociais, que nos últimos tempos ocorreu uma supervalorização do salário mínimo e o trabalhador teve ganhos significativos, que os recursos do pré-sal não deveriam ir para a educação e que essas medidas não levarão o país ao crescimento econômico. (ver em outro texto a diferença entre crescimento econômico e desenvolvimento econômico). Logo, na visão da mídia, para o país crescer deve abandonar essas ideias de cunho sociais, esquecendo que temos uma das menores taxas de desemprego dos últimos anos, segundo o IBGE.

Mas a culminância de toda essa farsa montada há muito tempo pela mídia ficou com a revista veja, na sua reportagem de capa na véspera das eleições, com o propósito de desclassificar e envolver o ex-presidente e a atual nos escândalos da Petrobrás. A cara de pau de solicitar do TSE uma auditoria do segundo turno (o que já foi negado) caracteriza muito bem qual é o objetivo das manchetes tendenciosas desse fato. Esses elementos insistentemente colocados para a população inflamam aqueles que votaram ou simpatizam com o PSDB e apontam o governo vencedor como criminoso perante as leis, propiciando uma divisão no país com agressões principalmente aos Nordestinos.

Por sua vez não se torna muito inteligente alimentar essas trocas de farpas, pois na verdade não é exatamente isso que a mídia quer para sugerir que o eleito deveria ter sido outro? Por sua vez a OAB-PE provocou o MPF em Pernambuco e São Paulo pelos crimes de preconceitos contra os Nordestinos. Passemos, pois, diante dos fatos para o MPF e o TSE a palavra.

Edeildo de Araújo
Diretor da Secretaria de Formação do SINTEPE e formador da CUTPE.