HEGEMONIA?


Faz sentido no momento atual que vivemos falar e/ou fazer uma reflexão sobre  hegemonia? Não apenas no sentido de buscar e elaborar um consenso, mas também nos ajudar na construção de caminhos para o movimento sindical e principalmente responder as inquietações da sociedade como um todo?
As constantes análises de conjuntura que tenho ouvido e observado, conduzem a um olhar mais demorado no passado e respondem de forma afirmativa a pergunta inicialmente formulada.

Compreender o sentido da “disputa da hegemonia na sociedade” é buscar o seu sentido histórico e político como sendo a supremacia de um povo sobre outros, seja através da introdução de sua cultura ou por meios militares, como também explorar a questão ideológica que perpassa as relações de classes sociais dentro de um mesmo povo ou estado.

Na tradição marxista, ou expressa por Marx ( 1818-1883), seria a liderança política calcada no consentimento e não na violência, especialmente aquela que, na luta de classes, o proletariado industrial exerce sobre o campesinato e sobre outros grupos submetidos da sociedade.

Na Política, o conceito foi formulado por Antonio Gramsci (1891-1937) para descrever o tipo de dominação ideológica de uma classe social sobre outra, particularmente da burguesia sobre o proletariado e outras classes de trabalhadores. Sem dúvida é uma forma de exercitar o poder, comum às sociedades modernas e a um projeto de construção gradativa, em que instrumentos, como a geração de consenso, alianças e convencimento no âmbito cultural, são priorizados, em detrimento da violência.

Pelo exposto, a disputa pela hegemonia é uma constante em vários setores do pensamento humano, assim sendo, cabem alguns questionamentos para entender o momento atual, seus embates e retrocessos.  A construção e instalação de um poder formal sem exercer a hegemonia conduzem a que situação? Quais os caminhos, formas ou métodos que os sindicatos, centrais sindicais e a sociedade civil como um todo tem para a disputa da hegemonia? Quando um projeto torna-se realmente hegemônico? As lutas internas atrapalham em que essa disputa?

Para um projeto tornar-se hegemônico precisa desfrutar de consenso e consentimento social consolidado, nesse caso os cidadãos e cidadãs devem defendê-lo como se fosse seu.

Dessa forma, torna-se imprescindível a fundamentação da ideologia que segundo Gramsci é, antes de tudo, uma visão de mundo e, consequentemente, uma referência implícita ou explícita da ação humana. Não estando desligada da realidade histórica, das condições materiais da existência dos homens ela reflete diretamente os interesses da classe trabalhadora, passando imprescindivelmente, pela atuação pedagógica dos (as) trabalhadores (as).

Segundo Roberto Regalado, o desafio é construir uma nova correlação de forças políticas e sociais, uma hegemonia popular, para que não seja uma simples eleição a mais e sim, que ocorra um processo profundo de transformação.

Edeildo de Araujo
Diretor da Secretaria do Interior do SINTEPE e 
Coordenador Pedagógico da Escola Nordeste da CUT.