Conferência Magna dialoga sobre Democracia e Educação Libertadora


O Sintepe deu início, ontem (29), a 14ª Conferência Estadual de Educação, que contou com participação do Prof. Dr. Carlos Brandão, professor aposentado da (Unicamp). Em sua Conferência Magna intitulada “Democracia e Educação Libertadora”, Brandão transformou um espaço formal de uma Conferência em uma conversa recheada de memórias, lembranças e carinho. Seu diálogo com os trabalhadores e trabalhadoras em educação rememorou sua primeira vinda a Pernambuco em 1964 dois meses antes do Golpe Cívico-Militar, período em que Paulo Freire escreveu o livro Pedagogia do Oprimido.

Ao fazer uma análise sobre a educação, professor Brandão destacou dois acontecimentos no final do século XX: o lançamento de dois documentos que discutem a educação. O primeiro foi produzido pela Unesco e afirma que Educação é um direito humano irrevogável, e o segundo, pelo Banco Mundial que submete educação não ao desenvolvimento humano e sim ao desenvolvimento econômico. Segundo Brandão, cada vez mais a Cartilha do Banco Mundial é seguida em detrimento do documento da Unesco.

O palestrante lembrou ainda que, em 1996, a Organização Mundial do Comércio (OMC) decretou a Previdência Social, a Saúde e a Educação como mercados a serem conquistados. O objetivo dessa iniciativa era uma só: colonizar, ou seja, trazer para o mundo dos negócios tudo em nossas vidas, o que fazemos, o que vivemos em nossas vidas e o que estudamos. “Existe um direcionamento do mundo dos negócios de fazer com que gastemos o nosso dinheiro em educação quando antes gastávamos com as coisas, objetos”, explicou.

Para mudar esse movimento, é preciso mudar a finalidade da educação e fazer com que ela seja utilizada para o desenvolvimento humano e não para desenvolvimento econômico; reconhecer o outro como detentor de uma educação diferente da nossa, mas não pior ou melhor; voltar a construir uma cultura política através da educação. Como destaque, Brandão falou sobre a importância da insurgência para além da resistência e resiliência.

O professor aposentado afirmou que por onde tem passado tem se colocado como um cavaleiro da esperança levando a mensagem de que o momento em que país viver atualmente é uma fase e que tudo passa. “Além disso, é uma alegria estar em um local como esse com jovens e pessoas de cabelos brancos que estão juntos na mesma batalha. Estão ganhando todas as lutas e batalhas, mas devemos continuar lutando. É isso que temos de fazer não parar de crer em nós, não parar de insurgir, não apenas resistir”, pontuou com calma e docilidade.