Sintepe faz diagnóstico da Educação Básica em Pernambuco



O Sintepe promoveu ontem (30), durante a 14ª Conferência Estadual de Educação, o Painel de Exposição Diagnóstico da Educação Básica em Pernambuco. Os estudantes Kelvin Rodrigues, da UBES, e Leni Correia, da UESPE, foram os primeiros a fazer suas considerações.

Rodrigues destacou alguns pontos positivos como a criação e a ampliação do Programa Estadual Ganhe o Mundo. Porém, os elogios pararam por aí. Para os estudantes, há uma visível falta de investimentos na educação, principalmente quando se compara o número de universidades federais e de faculdades particulares. Sobre Educação Básica, a estudante Leni Correia adiantou que a UBES lançará um dossiê das escolas de Caruaru. “Muitas escolas não têm quadra poliesportiva, mas nos registros consta a construção de quadras poliesportivas. A Educação de Pernambuco não está essa maravilha. Há um abismo entre a propaganda e o que se observa nas escolas”, disparou Correia.

A participação das famílias no ambiente escolar também foi um ponto discutido entre os conferencistas. De acordo com Alexandre Queiroga, Presidente da AMPA-PE, existem legislações que asseguram espaços de controle social, mas, muitas vezes, esse espaço é negligenciado pelo poder público ou subutilizado pela sociedade civil. Para Queiroga, os encontros entre família e escola deveriam ser em todos os meses do ano, e não apenas um encontro a cada trimestre.

A deputada Teresa Leitão, Presidenta da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de Pernambuco, destacou dois pontos importantes para o Diagnóstico da Educação Básica: valorização profissional e o modelo de gestão. Segundo a deputada, o Governo afirma construir um Pacto no quesito educação, mas o que existe não é um pacto de rede e, sim, pacto de escola por escola, iniciativa que tem criado tensões no ambiente escolar. “Professores estão levando seus computadores para casa para preencher o Siepe tendo como principal finalidade ganhar o bônus, enquanto isso os conteúdos não são levados em consideração”, afirmou. Além dessa inversão de prioridades, Pernambuco tem elevado seus níveis de adoecimento entre docentes como consequência do estresse.

O número reduzido de cursos para o Profuncionário também chama a atenção da deputada, pois existem apenas dois cursos disponíveis para os funcionários da rede estadual de ensino. Recentemente o estado matriculou 492 estudantes. A representante do Legislativo considerou o número muito pequeno tendo em vista o número de profissionais.

O Presidente do Sintepe, Fernando Melo, concorda com Teresa Leitão no tocante à valorização dos trabalhadores e lembrou a promessa feita durante a campanha eleitoral de 2014, à época o governador afirmou que dobraria os salários dos professores. Além da promessa frustrante, Fernando Melo também citou o número elevado de contratos temporários, equivalente a 38% dos professores de Pernambuco. Sobre a Reformulação do Plano de Cargos e Carreiras, Melo demonstrou mais o descontentamento sobre a paralisação dos trabalhos. “Atualmente, os licenciados têm a mesa valorização de um professor de Ensino Médio. O governo divulga a sua nota do Ideb, mas quem tem feito o sistema funcionar é o professor que está na ponta”, frisou.

A Secretaria Executiva da Secretaria Estadual de Educação (SEE) foi reapresentada no Painel de Exposição por Daniele Bastos, também professora. Em sua fala, Danielle destacou que o governo tem se esforçado em ampliar a oferta escolar em Pernambuco e que isso pdoe ver verificado com o aumento de escolas integrais e técnicas, porém há o entendimento de que é preciso melhorar na qualidade da educação e continuar o trabalho acerca do Plano de Cargos e Carreira. A professora destacou ainda as ações da SEE, como Portal Escola Conectada, Ensino de Programação, Robótica e o Programa Ganhe o Mundo. Como desafios, Bastos pontuou fortalecer a inserção dos alunos nos alunos pernambucanos no Exame Nacional do Ensino Médio.