Currículo Escolar é tema de debate no segundo dia da 14ª Conferência Estadual da Educação do Sintepe


Seguindo a programação, a 14ª Conferência Estadual de Educação do Sintepe discutiu o tema Educação e Currículo na Perspectiva Humanizadora. A profa. dra. Lúcia Helena Alvarez Leite (UFMG) contribuiu com o debate sobre o assunto muito importante para a educação, mas que  voltou ao cenário nacional mais fortemente por causa das recentes tentativas impositivas de mudar a Base Nacional Comum Curricular.   

Segundo Lúcia Helena Alvarez, essa concepção autoritária sobre o currículo traz a perspectiva de uma educação colonizadora e opressora, o currículo nesse sentido entra para padronizar e unificar as práticas, mesmo entre pessoas com repertórios e características diferentes. Essa postura, inclusive, traz a meritocracia como justificativa e, consequentemente, faz do fracasso nossa responsabilidade. “A escola trata muitos e diversos como se fossem um”, resumiu.

Para Lúcia Helena Alvarez, é preciso recusar esse local de subalternação, machismo, racismo e homofobia para construir uma prática liberal para a educação brasileira. Os movimentos sociais realizam essa perspectiva liberal da educação nos movimentos do campo, indígenas, negro, das juventudes, das mulheres, LGBTS, pela Inclusão e Sindical. Esses movimentos sociais – praticantes de uma nova educação - esperam de nós, educadores comprometidos como a luta por direitos, uma nova construção curricular. “A presença desses outros nos obriga a repensar as nossas práticas, os nossos currículos e as nossas ações”, refletiu.

A professora mineira também trouxe um exemplo prático de como as vivências fora da escola podem contribuir com os currículos educacionais. A Experiência da Escola Municipal Ulisses Guimarães, do Morro do Papagaio, em Belo Horizonte foi compartilhada durante e pode ser conferida através do link sob o título de Deslocamentos.

O debate contou ainda com a contribuição da profa. dra. Fabiana Costa (UFSB), que utilizou a sua trajetória de vida, de militante de movimento estudantil, acadêmica e sua história como professora para mostrar aos conferencistas como o olhar atento ao currículo é necessário para a construção de uma educação livre. Durante sua trajetória, ela mostrou como foi confrontada com situações inesperadas e tirou conhecimentos desses momentos. “Perceber que ao falar de ação docente, de prática docente, podemos ter tudo na cabeça, mas cada sala de aula é diferente e não dá para reproduzir em sala de aula como se fosse a mesma coisa”, explicou.

Como forma de exemplificar sua fala sobre a importância do currículo humanizador, ela trouxe o currículo de formação geral da UFSB e contou uma situação vivida em sala de aula. Em uma das disciplinas, ela propôs aos alunos o estudo sobre Paulo Freire, porém os alunos não compreenderam o assunto. Posteriormente, os mesmos alunos fizeram uma visita a um território indígena, a região é predominantemente composta por áreas indígenas.

Após essa visita, os alunos compreenderam o que dizia Paulo Freire. “Os alunos aprenderam o assunto proposto no tempo deles e esse tempo precisa ser respeitado. Não dá para pensar em um único currículo para todos dessa forma. A construção não é fácil e sempre está sujeita retrocessos. O currículo mais do que nunca é resistência e reafirmar Paulo Freire deve ser o foco da nossa resistência”, completou.

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