Mulheres realizam ato em defesa da Previdência Pública, contra o machismo e feminicídio


As mulheres pernambucanas realizarão um grande ato amanhã (8), Dia Internacional da Mulher. Marielles: livres do machismo, do racismo e pela previdência pública será o tema deste ano e a concentração do ato será na Praça do Derby, no Recife, às 14h, e contará com rodas de diálogo sobre violência contra a mulher, feminicídio, racismo, machismo, preconceitos, igualdade de direitos e Reforma da Previdência. As organizadoras estão prevendo uma marcha pelas ruas do Recife até o Movimento Tortura Nunca Mais, na Rua da Aurora. 

De acordo com Jorgiane Araújo, diretora da Secretaria para Assuntos de Gênero, o momento é muito importante e todos devem participar, uma vez que as bandeiras de luta beneficiam toda a sociedade. A Reforma da Previdência, por exemplo, se for aprovada, afetará a vida de muitas/os professoras/os e trabalhadoras/os em educação. A categoria tem, em sua maioria, mulheres, e essas serão as mais penalizadas pela "reforma", aumentando em dez anos o tempo para a professora poder se aposentar enquanto os professores aumentarão em cinco anos! "Nas outras categorias, as mulheres trabalharão muito mais do que os homens para se aposentar, a reforma não leva em consideração a jornada dupla de trabalho não remunerado realizado pelas mulheres antes e depois do trabalho formal. Isso significa que  a cultura do machismo está sendo reproduzida na reforma da previdência! A nossa defesa é por nenhum direito a menos para a classe trabalhadora!", defendeu Jorgiane Araújo.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) trouxe para o debate uma análise, disponível no site da Confederação, e informa que as regras de idade, tempo de contribuição e pedágio são diminuídas em cinco anos para professores e professoras em comparação aos demais servidores. No caso do pedágio, a professora deverá contar com 81 pontos até 31 de dezembro de 2019 para poder se aposentar (ex: 50 anos de idade e 31 anos de contribuição. A partir de 2020 serão necessários 82 pontos, elevando-se 1 (um) ponto a cada ano até chegar ao total de 100 pontos.

Segundo a análise da CNTE, a professora terá de trabalhar, em 2019, seis anos a mais em comparação à atual regra, que impõe 50 anos de idade e 25 anos de contribuição para gozar a aposentadoria. Em 2020, serão sete anos a mais, e assim sucessivamente.

A proposta de Reforma da Previdência amplia a desigualdade de homens e mulheres, retira direitos dos trabalhadoras e trabalhadores e maltrata os professores e professoras. O Sintepe se posiciona contra essa proposta de Reforma e reivindica o fortalecimento da Previdência Pública, uma vez que a sugestão de capitalização do atual Governo poderá fazer com que um direito vire seguro e direcione fundos públicos para o sistema financeiro. O Sindicato convoca toda a categoria a participar do ato em defesa da Previdência Pública e lutar pelo direito de se aposentar.