Sintepe participa de homenagem à histórica greve de 1979



O Sintepe participou, ontem (12), do aniversário de 40 anos da Histórica Greve de 1979 no Grande Expediente Especial realizado na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), no Recife. O marco histórico do sindicalismo pernambucano e da luta por democracia foi lembrado por representantes do Sinpro, Sintepe, CTB, CUT, CNTE e dos/as professores/as da rede estadual e privada. 

Para deputada estadual Teresa Leitão, propositora da homenagem, a grandeza e o impacto da greve de 79 acordaram o movimento sindical daquela época. De acordo com o pesquisador Marcos Antônio Eliodoro Nascimento, “em Pernambuco, os dirigentes sindicais urbanos ou eram interventores impostos pelo próprio governo desde 1964 ou “pelegos” que davam apoio ao regime civil-militar”.

Naquela época, o Brasil estava em ditadura cívico-militar e sob o governo de Emílio Garrastazu Médici. Em 1975, a ditadura tinha assassinado o jornalista Vladimir Herzog, e, em 78, o ABC Paulista vivia a mais importante greve dos metalúrgicos e aglutinava setores que defendiam a democracia. Em 1979, os canavieiros fizeram um movimento paredista na Zona da Mata pernambucana. De acordo com a deputada, “os professores souberam analisar esse contexto, e, no dia 25 de maio de 1979, os/as professores/as da rede privada entraram em greve, um marco histórico para os/as trabalhadores/as em educação”. O movimento, que pedia Diretas Já – de Presidente a diretor escolar –, foi seguido por professores/as da rede estadual, aumentando de 12 mil docentes para 42 mil docentes em greve pela democracia.

Para a professora Sueli Santos, relembrar a greve de 79 é como assistir a um filme. “Assistíamos a grandes debates, aprendíamos muito e percebíamos, posteriormente, o que significava aquele momento. Vivíamos em uma ditadura que, embora enfraquecida, estava viva e nós estávamos lutando e construindo a democracia operária”, relembrou a professora bastante emocionada que citou os nomes dos/as professores/as falecidos e que participaram ativamente do movimento.

Se muito vale o já feito, mais vale o que será e há ainda muito a se conquistar. Entretanto é preciso se renovar. Segundo o deputado estadual João Paulo, muito foi perdido em relação à luta de classe. Para ele, é necessário criar novas estratégias de luta política para atacar o sistema capitalista e renovar o sindicalismo, que precisa se atualizar às novas formas de exploração do trabalho.

Além da luta pela democracia, segundo o professor Fernando Melo, Presidente do Sintepe, o movimento deixou um legado importante e muito foi construído a partir do acúmulo da greve de 1979. No âmbito local, Fernando Melo destacou a construção do Plano, Cargos, Carreiras e Vencimentos e Estatuto do Magistério e outros instrumentos que vieram garantir e minimizar a desvalorização sofrida por essa categoria. Nacionalmente, a organização dos trabalhadores resultou na Lei do Piso Nacional, o Plano Nacional de Educação (desmontado pelo governo atual), Fundeb, e a conquista dos recursos do pré-sal para a Educação. “São instrumentos, elementos que nos fazem acreditar que a luta, em muitos momentos, fez a lei, mas a luta continuou sendo imprescindível para que a lei pudesse sair do papel e se materializar no seio da nossa sociedade”, pontuou Melo.

Para Valéria Silva, representante da CNTE e vice-presidente do Sintepe, momentos como esse mostram a importância da luta. O ano de 1979 é um marco na vida do povo brasileiro, dos trabalhadores e trabalhadoras e é muito importante ser discutido nos dias hoje em um cenário de escolas militarizadas, a reforma da previdência, a reforma trabalhista e privatizações. “Em 1979, vivíamos o fim da ditadura militar e, hoje, estamos vendo o período que se inicia um golpe contra o povo brasileiro”, destacou.