Trabalhadores pedem a anulação da Reforma Trabalhista


O conjunto de trabalhadores pernambucanos realizou hoje (10) uma paralisação pela anulação da Reforma Trabalhista e em reprovação à Reforma da Previdência. A concentração da paralisação começou na Praça do Derby, no Recife, às 9h. Às 11h, os trabalhadores saíram em passeata até o Ministério do Trabalho, em Santo Amaro, pela Avenida Agamenon Magalhães. 

 

Durante a passeata, os trabalhadores expuseram a sua indignação em relação ao pacote de medidas que retirará dos profissionais uma legislação reguladora. Durante as falas, os representantes dos sindicais, centrais sindicais e movimentos populares expuseram os pontos sobre a Reforma trabalhista que não está sendo falado nos grandes veículos de comunicação, como o fim da proteção ao trabalho, do décimo terceiro salário, FGTS, férias, criação do trabalho intermitente, da figura da pessoa jurídica (PJ) e permissão de que mulheres lactantes e gestantes trabalhem em locais insalubres.

O Brasil tem mais de 14 milhões de desempregados. Segundo o governo golpista, a Reforma Trabalhista seria benéfica para o país, pois traria emprego para a população. O discurso é contestado por diversos setores da sociedade. “A tendência é o aumento da terceirização. Temos 17 mil trabalhadores com contratos por tempo determinados que são, na nossa visão, contratos precarizados. A tendência de aprofundamento dessa legislação é que a extinção dos direitos estatutários possa vir a ser uma realidade”, explicou William Menezes, Vice-presidente do Sintepe.

O cenário é de incertezas. No dia-a-dia, as relações de trabalho entre trabalhadores e patrões são marcadas por desrespeito em relação aos direitos trabalhistas. A educação, por exemplo, há 200 anos iniciou uma luta que virou conquista em 2008, a Lei nº 11.738, que instituiu o piso salarial dos trabalhadores em Educação. “Hoje a nossa luta é fazer com que a lei seja cumprida. Imagina no nosso dia-a-dia lutarmos por valorização quando não há legislação específica? Devemos combater o desmonte ao trabalho”, defendeu Fernando Melo, Presidente do Sintepe.

A recomendação da CUT é de que os trabalhadores não assinem documentos que venham dos patrões. “O trabalhador, ao assinar qualquer documento, pode estar assinando o atestado de óbito dele. Procure sempre antes o seu sindicato, a organização da qual você faz parte para ter orientação”, orientou Carlos Veras, Presidente da CUT-PE. De acordo com Veras, existe também o enfrentamento no Congresso. “A CUT está apresentando hoje um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que pede a anulação da Reforma Trabalhista”, acrescentou.

O momento de retrocesso necessita da união dos movimentos sociais, sindicatos, centrais e demais frentes que possam vir a agregar a luta por direitos, uma vez que essas decisões do governo Temer e do Congresso Nacional fazem parte do pacote de maldade do grande capital que em 2008 viveu uma crise e que, na ótica do capital, precisa ser resolvida. Por isso as medidas que apenas atingem os trabalhadores. "A rearticulação das forças do mundo do trabalho são centrais para enfrentarmos a pauta, que é difícil porque ela não está localizada apenas no Brasil e, sim, no mundo. Será uma luta árdua, que vai requerer do mundo do trabalho muita unidade e nós entendemos que só com muita unidade poderemos retomar a democracia e a soberania no nosso Brasil", defendeu Hemilton Beserra, da CTB.

Foto: Agência JC Mazella/Veetmano Prem