Professor de Petrolândia denuncia descaso na Educação



O professor do município de Petrolândia denunciou, por meio de uma nota, a sua indignação em relação ao descaso na Educação. O relato do professor Daniel Filho, do EREM de Jatobá, em Petrolândia, expõe a falta de condições de trabalho dos profissionais e a falta de biblioteca, internet, cobertura para quadra poliesportiva e com piso danificado. Todas essas questões são vivenciadas pelos trabalhadores em Educação de Pernambuco e pelos estudantes da rede estadual de ensino.


 

Petrolândia, 07 de Junho de 2017

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É com indignação que redijo o seguinte texto. Sou Daniel Filho, professor na Instituição de ensino estadual EREM de Jatobá na cidade de Petrolândia, sertão de Pernambuco. A escola deveria abranger quatro modalidades de ensino, mas não contempla plenamente nenhuma: programa integral, programa de ensino médio inovador (PROEMI), regular e travessia.

Os programas em período INTEGRAL e Proemi são os maiores afetados. O primeiro funciona de maneira precária (tanto para funcionários quanto alunos), o segundo só existe no papel, pois não há alimentação para que os estudantes possam ficar no contra turno.

Do programa INTEGRAL fomos cinco as professoras e professor selecionados via análise de currículo e entrevista, mas apenas três recebem a gratificação por localização especial – incentivo financeiro por dedicar mais tempo ao local de trabalho (com meses de atraso e sem previsão de quando receber o valor retroativo aos meses trabalhados), duas colegas nunca receberam, uma teve graves prejuízos financeiros, pois abandonou um contrato em outro estado para poder assumir tal vínculo e outra soube recentemente, depois de aprovada em todas as etapas e tendo trabalhado desde então, que não poderá continuar no programa por ser formada em pedagogia (o que traz não apenas prejuízos financeiros, mas também danos morais).

Os problemas continuam com as condições de trabalho. Nos períodos mais quentes a sensação térmica passa de 40 graus e nenhuma das salas é climatizada, estudantes não têm banheiro adequado para tomar banho e ou trocar de roupa.

As refeições precárias e repetitivas. O almoço, desde fevereiro, é: arroz, feijão, galinha ensopada ou charque ensopada e uma laranja. Estudantes trazem refrigerantes ou sucos artificiais de casa. Essa condição é sustentada com recursos próprios da escola e famílias, pois caberia ao programa enviar uma empresa terceirizada a fornecer a alimentação da forma correta, mas, até hoje, não há previsão de chegada.

Biblioteca, internet e laboratórios precários. Quadra poliesportiva sem cobertura e com piso danificado. Falta material esportivo e de recreação.

As obras de reforma da estrutura da escola já deveriam ter iniciado, mas sequer há previsão de apresentação do pré-projeto.

Secretário de educação, coordenadores regionais (GRE Floresta – Sub médio São Francisco) já nos visitaram, conhecem nossa realidade, firmaram diversos compromissos de resolução, mas nenhum resolvido. Comumente, quando relatamos nossas dificuldades, somos obrigados ouvir o humilhante ditado: “Quem não pode com o pote não pega na rodilha!”, como se a nós coubesse a exclusividade da tolerância ao descaso.

Envio essa mensagem aos principais órgãos de imprensa, tal como a ouvidoria do estado, na forma de apelo a toda nossa comunidade escolar pelos encaminhamentos e respeito devidos.

 

DANIEL JOSÉ DOS SANTOS FILHO