Ato unifica as reivindicações das mulheres por suas vidas e por seus direitos

Com o lema “Pela vida das mulheres, nenhum direito a menos", milhares de mulheres, entre coletivos, sindicatos, partidos, organizações, fóruns e redes feministas realizaram, hoje (8), um ato unificado em Pernambuco em alusão ao Dia 8 de Março. Além das dez rodas de diálogos realizadas para discutir eixos temáticos que norteiam a luta das mulheres, as militantes feministas saíram do Parque 13 de Maio em passeata até a Praça do Derby. No percurso, realizaram "intervenções" com performances discutindo o direito das mulheres sob seus corpos, o racismo, a violência, a desigualdade salarial entre gêneros e o assédio sexual.

Nas rodas de diálogo, a diretora da Secretaria para Assuntos de Gênero do Sindicato, Jorgiane Araújo, debateu o cenário cotidiano dos trabalhadores e trabalhadoras em educação, revelando um cenário de violência e opressão. “As trabalhadoras reclamam do assédio moral, resultado do alto nível de cobrança de metas do governo estadual, do assédio sexual dos colegas de trabalho e de outros homens, da violência urbana que adentra as escolas e que pode desencadear uma violência sexual, como o estupro. Também relatam a pouca quantidade de creches para as trabalhadoras”, enumerou.

Já Elisangela Barbosa, também diretora da Secretária para Assuntos de Gênero, debateu o cenário de desigualdade e retirada de direitos. “Estamos em uma luta constante, informando as mulheres em seminários, congressos ou quaisquer outras atividades. A mulher precisa se reconhecer diante desse cenário e ultrapassar as barreiras do patriarcado”, disse.

Segundo Liana Araújo, Secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-PE, a Reforma da Previdência fala de uma igualdade que não existe, porém, no projeto do Governo Temer, homens e mulheres são vistos da mesma forma. “O tempo de trabalho não remunerado que a mulher gasta com os afazeres domésticos resulta em cinco anos. Esse tempo não é contado para o INSS, pois ele não é remunerado”, exemplifica Araújo.

A Reforma Trabalhista foi outro ponto que mereceu atenção. Aprovada em julho do ano passado, a mudança na Lei Trabalhista precariza o trabalho e retira direitos. Com o trabalho intermitente, a trabalhadora não terá a garantia de renda mínima familiar, uma vez que a remuneração está atrelada à convocação. “Vai estar todo mundo com fome, na miséria do mesmo jeito e ninguém será estatisticamente desempregado. Todos estarão com trabalho, mas sem receber efetivamente o seu dinheiro”, refletiu Rosilene Nascimento, vice-presidenta do SindMetro-PE.

A passeata das mulheres percorreu a Rua do Hospício, Avenida Conde da Boa Vista e chegou à Praça do Derby por volta das 18h. A mobilização no Recife foi repetida em diversos municípios de Pernambuco como Palmares (Mata Sul), Orobó (Agreste) e Petrolina (Sertão). Em todo o Brasil e no mundo, houve grandes manifestações como em São Paulo, Buenos Aires (Argentina) e Madri (Espanha). Entre as principais reivindicações da 8M, a Paralisação Internacional de Mulheres, está o fim da violência e a garantia de direitos.

Fotos: Agência JC Mazella