A obra Pedagogia do Oprimido completa 50 anos e é homenageada durante o VIII Seminário Paulo Freire


A Cátedra Paulo Freire da UFPE iniciou, hoje (16), o VIII Seminário Paulo Freire e VI Encontro de Cátedra e Grupos Paulo Freire. Este ano, o Seminário se debruça sobre o livro Pedagogia do Oprimido, obra que completa 50 anos. O evento de abertura foi realizado no auditório do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e reuniu sindicalistas, educadores, estudantes e integrantes de movimentos sociais.

Na mesa de abertura, o Sintepe foi representado pela Vice-presidente, Valéria Silva. Em sua fala, Valéria Silva destacou a importância de reafirmar o legado de Paulo Freire diante dos atuais retrocessos, como a existência do projeto Escola sem Partido, a aprovação da Reforma do Ensino Médio e o congelamento dos investimentos na área da educação e saúde. “Seguimos firmes na luta e o Sintepe está à disposição de continuarmos toda essa ação que só engradece o nome do nosso querido pernambucano, referência mundial para a Educação, e também todos aqueles que lutam por uma vida melhor do povo”, pontuou Silva.

Heleno Araújo, Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), participou da solenidade e, em entrevista ao Sintepe, afirmou que ao relembrar Pedagogia do Oprimido fica nítido o seu caráter atual e a sua importância em relação aos ataques à democracia brasileira e às iniciativas que tiram a humanidade das pessoas.

Para ele, a nova BNCC é o grande exemplo desse contexto. Para Paulo Freire, a educação deveria ser vista como uma prática da liberdade na qual o ser humano deve ser sujeito da sua história. A elite, porém, não aceita essa ideia e formula um pacote pronto para tirar do povo o seu protagonismo, transformando-o assim em objeto da história. “Essa postura e consequentemente a atual BNCC tem o objetivo de não nos fazer pensar, refletir, criar. Eles tentam impor um receituário do que devemos fazer em sala de aula. Como pode o currículo escolar ser igual em todo País? O Nordeste não é igual às outras regiões. A Conape, que será realizada entre os dias 24 e 26 de maio, reafirma a nossa posição de sujeitos da nossa própria história”, refletiu Heleno Araújo.

A solenidade contou ainda com a presença de representantes da Cátedra Paulo Freire, do Centro Paulo Freire – Estudos e Pesquisas, Faculdade Frassinetti do Recife (Fafire) e Centro de Educação da UFPE.

Pedagogia do Oprimido – O livro foi escrito em 1968 e traz a formulação de uma proposta de educação crítico-libertadora, cujas origens estão fincadas no contexto sócio-histórico-brasileiro, marcadamente no final dos anos de 1950, a partir do olhar e das práticas sobre/no Nordeste brasileiro, sem, no entanto, se limitar a ele. Instituiu uma proposta de educação historicamente revolucionária, assentada em concepções, princípios, conteúdos e métodos que dão corpo a uma teoria educacional libertadora, preocupada com o ser humano, fundamentalmente com “os despossuídos da terra”.

De acordo com a Cátedra Paulo Freire da UFPE, Pedagogia do Oprimido é um modo de pensar-fazer educação, que supera o silenciamento de sujeitos e dos processos de transferência do conhecimento, que ganhou forma de livro. Essa pedagogia toma os contextos de vida e de trabalho de homens e mulheres como seu conteúdo fundamental e reconhece em todos os homens e todas as mulheres – crianças, jovens e adultos – a capacidade e o direito de ser sujeito. Configura-se, desse modo, como estratégia de um projeto de sociedade e de educação crítico-libertadora, cujo horizonte é a justiça social, é a humanização da pessoa humana.