Análise de contexto político internacional e nacional aponta para a resistência e a construção de uma frente ampla democrática


Ontem (13), o Conselho Estadual de Representantes se dedicou a refletir o contexto internacional e nacional. Como palestrantes, o Sintepe convidou o secretário adjunto de Relações Internacionais da CUT Nacional, Ariovaldo de Camargo; o assessor parlamentar do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), Antônio Augusto de Queiroz; e o Presidente Estadual do PCdoB, Marcelino Granja.

 

Para Ariovaldo Camargo, o cenário internacional assiste ao ressurgimento de forças ultra conservadoras e o Brasil não está isolado desse contexto. Para o secretário, esse movimento começou na Europa e no norte da África com a Primavera Árabe e tem ganhado países como Brasil, Estados Unidos, Argentina, Chile, Paraguai e muitos outros. A França, por exemplo, vive esse movimento e é o cenário para as mobilizações dos coletes amarelos. “Esse movimento, inclusive, se assemelha com as jornadas de junho, em 2013 nas quais um grupo que se dizia apolítico se insurge e hoje está presente nas Câmaras e no Congresso. Não existe movimento espontâneo. Todos os movimentos são políticos e em todos há um grupo que está por trás buscando objetivos”, observou.

Ainda no campo das semelhanças, Ariovaldo Camargo pediu atenção às medidas anunciadas por Paulo Guedes, futuro Ministro da Economia no Governo Bolsonaro. De acordo com o secretário, o Chile está se sendo apontado  enquanto modelo, mas a intenção de acabar com a saúde pública, a educação pública, a privatização das empresas nacionais e privatização da Previdência não é o modelo que queremos para o Brasil.

O assessor parlamentar do DIAP, Antônio Augusto de Queiroz, analisou que, para essas medidas políticas e econômicas serem aprovadas, o grupo de Bolsonaro precisarão usar a estratégia da desinformação e uma narrativa forte para ganhar apoio popular e aprovar medidas impopulares, entre elas a Reforma da Previdência e a redução de gastos públicos. O assessor pontuou ainda os erros da esquerda brasileira nos últimos anos e destacou a importância na narrativa que deve ser utilizada daqui por diante nas conversas com os nossos colegas, amigos e familiares. “Nem todo mundo que desejou o impeachment de Dilma e votou em Bolsonaro é golpista ou fascista. Muitos são apenas desinformados e muitos já estão entendendo o que está por vir", pontuou.

Para ele, Bolsonaro vai chamar os movimentos sociais e a população para dialogar nas redes sociais enquanto sua equipe estará desmontando o Estado. Os movimentos sindicais precisarão minar o governo internamente, se unir, otimizar recursos para resistir às tentativas de massacre que virão.

Marcelino Granja, Presidente do PCdoB em Pernambuco, concorda com os dois primeiros palestrantes: o momento é de resistência. Para o dirigente, o futuro governo tentará a todo custo implantar um novo regime político de ruptura com o regime instituído pela Constituição de 1988.

Para Marcelino Granja, o objetivo da direita será atrelar a economia brasileira aos Estados Unidos, destruir a força do Estado Nacional como indutor do desenvolvimento, aumentar a superexploração dos/as trabalhadores/as para a rápida acumulação do capital, implantar um regime policialesco e subverter os valores fundamentais da identidade cultural brasileira fundamentada na diversidade. Como perspectiva, é necessário lutar para resistir ao novo governo através de uma frente ampla democrática em todas as esferas da vida social.