Educação promove mobilização histórica e reúne mais de 70 mil pessoas




A Greve Geral da Educação é uma resposta dos estudantes, trabalhadores/as em educação e profissionais à proposta de corte de recursos da Educação que giram em torno de 30% e também contra a Reforma da Previdência.

Para barrar a precarização, greve geral. Greve Geral da Educação! O grito de ordem dos estudantes, trabalhadores/as em educação e trabalhadores/as em geral ecoou na cidade do Recife. De acordo com organizadores, a mobilização unificada reuniu mais de 70 mil pessoas no Recife, hoje (15), para dizer não aos cortes da Educação e para dizer não à Proposta de Reforma da Previdência. A Rua da Aurora, um dos cartões portais da cidade, ficou pequena para a quantidade de pessoas que defendeu a Educação e a Previdência Pública por meio de cartazes, faixas e palavras de ordem.

Segundo Heleno Araújo, Presidente da CNTE e diretor do Sintepe, a união da mobilização é muito importante, uma vez que será necessária uma grande resistência para barrar o bloqueio de R$ 7,3 bilhões na Educação. Com o anúncio dos cortes na Educação, os prejuízos são enormes. “O orçamento para 2019 já foi menor do que 2016. Se ele [o Presidente Jair Bolsonaro] faz um corte de 30%, o prejuízo é muito grande para universidade pública, para os institutos federais e para a educação básica”, destacou Heleno Araújo.

O Reitor da Universidade de Pernambuco (UPE), Pedro Falcão, lembrou que esses cortes e a tentativa de sucatear a Educação começou no governo Temer, em 2016, quando a PEC da Morte foi aprovada e cortou investimentos em Educação e Saúde, iniciando um programa de privatização, concentração de renda e exclusão social. Para barrar a precarização, apenas a greve geral e a união da sociedade brasileira poderão barrar esse cenário de colapso.  A classe trabalhadora está se organizando para construir uma histórica Greve Geral no dia 14 de junho, um momento decisivo na resistência dos trabalhadores ao governo Bolsonaro.

Os estudantes estiveram presentes na manifestação e fizeram bonito no ato. Com muitas faixas, cartazes, gritos de ordem, a reivindicação ganhou a alegria e o ânimo da juventude. “Se não houver resistência os cortes não irão parar”, disse um dos jovens da UJS. A estudante Beatriz Lucas, de 16 anos, estava preocupada com os cortes e ciente do seu papel na mobilização. Estudante do curso de Saneamento Ambiental do IFPE, do Campus Recife, a adolescente se disse preocupada com o futuro de muitos colegas que perderão bolsas de pesquisas e assistência estudantil. “Com o corte das verbas, o IF só poderá ficar aberto até setembro ou outubro e muita gente terá bolsa de pesquisa cortada. Tenho amigos meus que precisam desse recurso para poder estudar. Porque é pobre mesmo e não precisa das bolsas para poder ir às aulas”, relatou a estudante.

De acordo com Heleno Araújo, os 2,4 bilhões que o Presidente Jair Bolsonaro cortou da educação básica atinge a merenda escolar das crianças e dos jovens, atinge o transporte escolar tão necessário de ponta a ponta desse país.

Enquanto estudantes, trabalhadores em educação e profissionais em geral ganhavam as ruas, a Câmara dos Deputados recebia o ministro da Educação, Abraham Weintraub. O representante do governo foi convocado a comparecer no plenário da Câmara para prestar esclarecimentos sobre os cortes de R$ 7,3 bilhões na Educação. A convocação foi aprovada, ontem (14), pelos/as deputados/as e tem como objetivo entender as metas e os estudos do governo que explicam o bloqueio que afeta do ensino infantil à pós-graduação.