Paulo Freire em Setembro celebra Patrono da Educação brasileira e discute caminhos do inédito viável


Paulo Freire vive! Seu pensamento esteve presente na sétima edição do Paulo Freire em Setembro, realizada na quinta-feira (19), no campus Recife da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). A atividade que comemorou o aniversário de nascimento do educador pernambucano – que completaria 98 anos – rememorou os pensamentos freireanos, promoveu reflexões acerca do cenário político educacional brasileiro sob o tema Leituras(s) de Mundo e Tecendo Caminhos do Inédito Viável. A ação foi uma realização da Cátedra Paulo Freire, Centro Paulo Freire – Estudos e Pesquisas e Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe/CNTE).

A primeira mesa de debates reuniu as organizações que somaram esforços para realizar o evento, mesmo diante de um cenário de destruição da educação brasileira e das notícias sobre cortes nas universidades, recursos das escolas básicas e da perseguição aos profissionais da educação. Para as instituições, receber um evento como esse acaba se tornando providencial, pois reafirma que espaços escolares são, sobretudo, espaços de resistência, luta e emancipação. “É um momento de reflexão. Estamos aqui para fazer com que nosso estudante seja protagonista da própria história, para revigorar esforços na luta pela liberdade, por democracia, justiça social e igualdade de oportunidades”, afirmou Séphora de Freitas, representante do Sintepe durante a Mesa Institucional.

O evento Paulo Freire em Setembro recebeu diálogos do professor Edson Francisco de Andrade, do Centro de Educação da UFPE, e da professora Dalila Andrade Oliveira, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Durante sua exposição, o professor Edson Francisco de Andrade demonstrou como há uma nítida disputa no país no campo político e como isso pode ser verificado nas políticas de educação no Brasil. Para o professor pernambucano, há movimentos de marchas e contramarchas.

Enquanto o Governo Fernando Henrique Cardoso mostrava uma tentativa tímida de fortalecimento da educação, os governos de Lula e Dilma propuseram a universalização e ampliação do acesso ao ensino para os estudantes brasileiros. A ruptura começou a se desenhar no governo Temer, mas é no governo Bolsonaro que há um corte drástico nas políticas educacionais. Esse corte acompanha diversos aspectos na educação: o dever do Estado na garantia do direito à educação, a política curricular, o financiamento, o planejamento e as questões referentes aos profissionais da educação entre outros pontos.

O debate proposto por professora Dalila Andrade Oliveira, da UFMG, priorizou a discussão sobre a política de forma mais ampla e como esse cenário de contramarcha vem sendo desenhado pelo governo atual. A professora pontuou a ofensiva conservadora que se espalha pelos países, a tentativa de impor um pensamento único através do Projeto Escola sem Partido, a disputa política acerca do direito à educação e estratégia de dividir a sociedade para a dominação dos povos indígenas e negros brasileiros.  “O inédito viável, que nos convoca Paulo Freire, é o aqui e o agora. A gente tem que ter pressa porque eles não têm piedade de nós. Temos de arregaçar as nossas mangas e fazer da nossa hora uma hora latino-americana”, finalizou a professora da UFMG.

Após debate, os convidaram promoveram uma marcha simbólica até o Lago do Cavouco, na UFPE, onde participaram de um piquenique. Logo depois, um ato político pedagógico em defesa da educação pública, laica, democrática, plural foi realizado e, à noite, os integrantes do Paulo Freire em Setembro festejaram o nascimento do Patrono da Educação Brasileira, o professor Paulo Freire.

O evento contou com o apoio da Universidade Federal de Pernambuco, Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROExC), Pró-Reitoria de Assuntos Acadêmicos (PROACAD), Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), Centro de Educação (CE), Associação dos Docentes da UFPE (ADUFEPE), Associação dos Docentes da UFRPE (ADUFERPE), Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).