Previdência no Brasil e Argentina foi debatida no Encontro dos Aposentados

 

Sotaques brasileiros e vozes estrangeiras marcaram a tarde de quinta-feira (26), no 8° Encontro de Trabalhadores em Educação Aposentados, no Recife Praia Hotel, Pina. 

Os participantes receberam informações sobre o sistema previdenciário e sobre a experiência internacional na estrutura sindical argentina. O evento foi realizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Marcelo Caetano ministrou a o Painel: O Sistema Previdenciário brasileiro: avaliações e perspectivas. O profissional frisou que os gastos com a previdência tende a crescer e o sistema aguenta por conta dos impostos arrecadados. Outro assunto tratado pelo trabalhador foi a Previdência Complementar, só vale para os servidores que ingressaram no serviço público a partir da lei e ganham além do teto salarial.

Para deixar o conteúdo mais acessível, o profissional cita exemplos. Quem trabalha no Paraná, por exemplo, tem 31% do salário destinado ao INSS vai para caixa do Estado, enquanto em outros Estados os percentuais variam. "São diferenças de regras que precisam ser diminuídas", sublinhou. Quanto ao papel sindical nesse contexto Marcelo é enfático "Cabe aos sindicatos replicar práticas equivocadas no serviço público e impedir que isso ocorra".  

A aposentada e atuante nos movimentos sociais Izailde Joana expressa emocionada que o Encontro gerou reflexão e muita luta. "É um momento histórico de solidificação de uma política de valorização, respeito e de mudança que venha garantir não só para nós aposentados da educação, mas para todos os cidadãos brasileiros, uma sociedade justa e solidária". A sindicalista agradece ao Sintepe o fato de participar deste evento. "Tenho muito orgulho em contribuir no dia a dia da conscientização da luta e cada vez mais aprendendo nesta grande escola que é o sindicato", finalizou.

    

Na segunda mesa, que recebeu o tema: Experiência Internacional sobre sistemas previdenciários e os aposentados na estrutura sindical, os participantes ficaram cientes da aposentadoria na Argentina. A responsável em conduzir a palestra foi a representante da Confederação dos Trabalhadores da República Argentina (CTERA), Esther Julia Gomez Bernejo. Na explanação, a sindicalista estabeleceu paralelos entre a era Carlos Menem e Cristina Kirschner. No primeiro governo a educadora mencionou a crise do neoliberalismo, o regime de capitalização e a redução de postos de trabalho. "Se as pessoas ganhavam 1.000 pesos, quando se aposentavam 70% do salário era destinado à previdência. Muitos professores trabalhavam até 80 anos", destacou. A afirmação gerou inquietação nos presentes.

Em seguida, Esther fez referência a era Kirschner, como um momento de recuperação das leis docentes, universitárias. De 1990 a 2002, os professores não tiveram nenhum aumento e de 2004 a 2010, todos tiveram, pelo menos, dois aumentos ao ano. Ao final, a sindicalista deixou claro "Estamos no caminho certo. O governo é voltado para o povo, estamos recuperando os nossos direitos. Devemos continuar na luta, entendendo cada momento". A mesa foi coordenada pela secretária de Relações Internacionais da CNTE, Fátima Silva.

De Curitiba, a professora da rede municipal, Miriam Bialli reforça a importância do 8° Encontro de Trabalhadores em Educação Aposentados/as, no fortalecimento de toda mobilização sindical e, por conseguinte do aposentado.

 

         

 Fotos: João Carlos Mazella