Reflexão sobre cenário político Internacional e brasileiro marca início do Conselho de Representantes


O Conselho de Representantes do Sintepe iniciou os seus trabalhos, nesta quarta-feira (11), com um debate sobre a Conjuntura Internacional e Nacional. A formação é direcionada a diretores, coordenadores regionais, delegados municipais e representantes setoriais e está sendo realizada no Centro de Formação e Lazer do Sindsprev, no Recife.

A mesa de abertura contou com a participação de Valéria Silva, diretora da CTB, Paulo Rocha, Vice-Presidente da CUT, Heleno Araújo, Presidente da CNTE, e Fernando Melo, Presidente do Sintepe, e foi coordenada por William Menezes, Vice-Presidente do Sintepe. Enquanto os representantes das centrais sindicais classificaram o momento político atual como crucial para a resistência, os presidentes do Sintepe e da CNTE reafirmaram a importância do Conselho como um espaço de formação dos trabalhadores em Educação. Fernando Melo, inclusive, destacou a programação politizadora do Conselho para que a categoria saia do evento com uma fala consistente para o embate.

Em seguida, a mesa sobre Conjuntura Internacional e Nacional foi coordenada por Fernando Melo e William Menezes e contou com a presença do professor João Felício, Presidente da Central Sindical Internacional (CSI). Felício iniciou sua reflexão lembrando a Revolução Russa (1917) e como ela foi importante na conquista de direitos, na nova concepção de sociedade, na nova concepção de Estado e de democracia.

De acordo com Felício, o Brasil vive atualmente uma nova conjuntura, pois nem no Golpe de 64 os trabalhadores tiveram seus direitos trabalhistas e previdenciários destruídos. Segundo  o professor, o que está acontecendo no Brasil está em consonância com muitos países onde o Tripartismo foi consolidado até o final dos anos 70. O Governo Lula tinha essa característica, e os governos dessa natureza estão em extinção no mundo. Hoje, o mercado domina os governos.

“Nos EUA, por exemplo, as mulheres não têm direito à licença maternidade amparada em lei só quando há um sindicato forte que consegue negociar com os empregadores, existe a possibilidade de ter direitos”, exemplificou. Não há naquele país uma proteção ao trabalhador. Situação diferente que ocorre nos países escandinavos, onde há uma tributação de mais de 50%. Este ano, por exemplo, a Noruega foi considerada um país feliz e a percepção de apoio social tem uma relação direta com o ranking.

Segundo João Felício, um debate que precisa ser feito no sindicato é: qual vai ser o trabalho do século XXI? Com a digitalização, o mundo do trabalho está se alterando profundamente e é necessário preparar e tornar o Brasil competitivo, porque senão o Brasil será sempre fornecedor de commodities. “Esse debate infelizmente não existe na cabeça dos senadores que aprovaram a Reforma Trabalhista”, refletiu.

No país, o governo quer aprovar a Previdenciária e a Terceirização e já aprovou a Reforma Trabalhista e a PEC 55. São leis que se complementam, diminuem o papel do estado, limitam o investimento e retiram dos trabalhadores seu poder de resistência. Segundo Felício, a politização é fundamental para que trabalhadores possam resistir e construir um projeto político brasileiro necessário para o avanço do país.